sábado, 23 de maio de 2015

4


Antônia: Não ligue pro Pedro, ele não gosta nem de si mesmo, aquela besta. - Disse ao terminar de comer, limpando as mãozinhas no vestido - Você vai adorar o Cobra. Ele é lindo, e é um amor. - Sorriu - Logo ele estará de volta. Ele me prometeu que não demoraria.

Karina: Olha, eu não quero ser grossa, eu gosto muito de você, de verdade. - Antônia sorriu - Mas você não gosta de se arrumar, se pentear...?

Antônia: Eu sei, eu não pareço uma menina. - Ela puxou um pedacinho do vestido com desgosto - Mas o Cobra é quem cuida de mim, ele me ensinou a comer sem me melecar e tudo mais, mas ele não entende muito disso. - Ela sorriu de canto

Karina: Hm... - Ela pensou um pouquinho - Que tal se nós fizermos uma surpresa pro Cobra? - Antônia a olhou, confusa - Eu te compro roupas, te ensino a comer, falar, sentar, andar, até a bordar. - Antônia sorriu - Assim quando Cobra voltar, você vai estar impecável.

Antônia: Vai fazer isso por mim? - Karina assentiu - Ah, obrigada... como é mesmo o seu nome? - Perguntou com a carinha confusa

Karina: Karina. - Riu

Antônia: Obrigada, Ka. - Sorriu, e abraçou Karina, que lhe acariciou os cabelos.

Karina tomou um banho de imersão demorado na água quente. O quarto tinha um banheiro, enorme, com uma banheira de porcelana, branca como o resto do banheiro. Quando terminou, se sentia limpa. Saiu da banheira, o cabelo preso num coque, e se enrolou na toalha. Quando voltou pro quarto, quase enfartou de susto.

Pedro: Pelo tempo que demorou você gostou da banheira. - Sorriu de canto e foi na direção dela, que recuou.

Karina: Sai de perto de mim. - Murmurou. Pedro riu.

Pedro: Você ainda não entendeu. - Ele pegou o rosto dela com uma mão - Eu vou tocar em você quando bem quiser, ma petit. - Sorriu ao ver Karina grunhir de raiva - Mas não foi por isso que eu estava te esperando. - Se afastou um pouco, ainda olhando-a.

Karina: Porque, então? - Perguntou, encarando-o.

Pedro: Há regras que você precisa saber. - Começou - Primeira não saia da mansão sozinha. Segunda, preste bastante atenção, o terceiro andar dessa casa é terminantemente proibido a qualquer pessoa. Você me chamou de monstro ontem, mas monstro eu vou virar se souber que você foi até lá. Entendido? - Ele ameaçou com o olhar

Karina: O que há lá em cima? - Perguntou, antes de conseguir controlar-se.

Pedro: O sótão. - Respondeu simplesmente - Nem meus irmãos vão lá, e você não vai querer me enfrentar.

Karina lembrou mentalmente de passar longe da escada do terceiro andar e assentiu. Pedro pareceu se acalmar.

Pedro: E terceiro, - Ele se aproximou dela novamente - Se você não quer que o que aconteceu ontem se repita, - Karina corou, e Pedro tocou seu pescoço com a mão esquerda, a aliança dourada reluzindo a luz - Não desfile mais de toalha na minha frente, eu posso me descontrolar. - O sorriso em seu rosto era debochado, mas Karina via o olhar dele queimar de desejo quando a olhava, então ela voltou rapidamente pro banheiro. Pedro riu.

Karina descobriu um guarda-roupa lotado dos mais lindos vestidos que já vira, presente de Pedro pra ela. Eles jantaram em silêncio, e depois foram pra sala de estar.

Karina: Pedro, quando você for ao centro, posso ir contigo? - Pediu tímida.

Pedro: Pra...? - Perguntou sem olha-la

Karina: Preciso comprar algumas coisas. - Pedro ergueu a sobrancelha - Posso pagar. - Concluiu confusa com o olhar dele, mas ele riu.

Pedro: Depois de ter conhecido essa mansão, acha realmente que dinheiro é algum problema pra mim? - Perguntou debochado

Karina: Obviamente não. - Respondeu, se achando idiota.

Pedro: Pode ir amanhã, se quiser. - Disse sem interesse. Karina assentiu feliz, e se calou.

Após algum tempo Karina pediu licença e se retirou. No quarto, após lutar pra tirar o vestido, se irritou consigo mesma, resmungando na frente do enorme espelho.

Pedro: O que houve? - Perguntou ao entrar no quarto, vendo a briga de Karina que tentava desamarrar o espartilho, com as mãos viradas pras costas.

Karina: Quê? - O encarou hesitante - Ah, não é nada, só tô terminando de tirar o vestido - Sorriu, nada convincente.

Pedro: Deixe-me ajudar. - Ele avançou pra ela, que recuou - Está tudo bem, petit, eu só vou desenlaçar o vestido.

Karina ficou quieta e ele foi até ela. Ela virou de costas e afastou o cabelo. As mãos de Pedro eram ágeis, e logo ela sentiu o corpete afrouxar.

Pedro: Viu? Não doeu. - Sorriu debochado como sempre.

Karina: Obrigado. - Sorriu tímida, e foi tomar banho.

Quando Karina voltou, Pedro já tinha se deitado. Ela não tinha pensado nisso. Deitou-se em seu lugar, tensa. Pedro se divertia com o desespero dela. Ele estava quase dormindo quando sentiu uma mão levemente lhe abraçar pela cintura. Karina dormira, e no frio que estava fazendo se aconchegou na fonte de calor mais próxima: Ele. Ela tinha um perfume leve, floral. Ele a envolveu no braço, e sentindo seu cheiro, dormiu também. No dia seguinte Karina acordou antes de Pedro. Assustou-se ao perceber que estava enlaçada com o marido. Recuperou-se do susto ao olha-lo. Pedro dormindo era diferente. Não tinha aquele frio no rosto. Ele respirava superficialmente, o rosto e o peito nu, corados. Era tão... humano. Ela se levantou lentamente e o cobriu, o dia estava frio como ontem. Ela encheu a banheira com água quente, e após prender os cabelos entrou no banho.
Escorou a cabeça na borda da banheira e fechou os olhos, sentindo cada pedacinho do corpo despertar. Estava assim a alguns minutos quando duas mãos quentinhas tocaram seu ombro, fazendo-a se assustar.

Pedro: Shiii... - Ele disse com a voz rouquinha - Sou eu.

"Como se isso me acalmasse.", pensou Karina. Mas então ele começou a alisar o ombro e o colo dela sutilmente, fazendo-a se arrepiar e relaxar ao mesmo tempo.

Pedro: Bom dia, petit. - Ele disse perto do ouvido dela e ela estremeceu. Era incrível o poder que ele tinha sobre ela.

Karina: Bom d... - A frase se perdeu quando ele lhe beijou a orelha. Pedro sorriu.

Pedro começou a massagear o ombro de Karina, que esqueceu de tudo. De vez em quando ele lhe beijava a orelha, o pescoço, o ombro, como se estivesse estudando suas reações. E ele estava mesmo. Deliciava-se ao ver a pele dela estremecer, arrepiar. Os suspiros dela eram como musica pra ele. Karina estava completamente absorta, tanto que não viu quando ele se levantou, tirou a roupa, afastou ela um pouco e se sentou atrás dela na banheira. Só veio despertar quando sentiu suas costas tocarem no peito quente dele. Ela se retraiu, mas ele a segurou.

Pedro: Calma, eu não vou te fazer nada. - Ele a puxou de volta, deixando-a se recostar em seu peito

Karina: Tenho minhas duvidas. - Retrucou, mas se deixou acariciar.

Pedro acariciava a barriga dela por debaixo d'agua e lhe beijava a orelha, ombro e pescoço. Ela sentia o peito dele confortando suas costas, e após algum tempinho começou a acariciar a coxa dele timidamente. Pedro sorriu com isso. Após algum tempo ele lhe beijou a bochecha, rosto. Karina virou o rosto instintivamente com isso. Ela se condenou por isso, mas quando sentiu a respiração de Pedro em seu rosto, o que fez foi fechar os olhos. Pedro observou o rosto de Karina por um momento. Seus traços finos, a pele delicada. Ele levantou a mão de dentro d'agua, deixando a outra na barriga dela. Pousou a mão na maxilar dela e a beijou levemente. O gosto de Karina era doce, suave. Após um tempo os dois já se beijavam com volúpia. Pedro tinha virado Karina pra si, agora ela estava deitada na barriga dele. Ele segurava a nuca dela, puxando-a pra si, e ela o segurava pela cintura, abraçando-o. As vezes ele descia os beijos pelo pescoço e pelo colo dela, sedento por sua pele, e Karina jogava a cabeça pra trás, aos suspiros. Pedro sentia os seios dela em contato com seu peito, e isso estava pondo-o a loucura. A sensação boa da noite retrasada voltou a Karina quando sentiu a mão dele lhe acariciando firmemente. As vezes ela deixava escapar pequenos gemidos, e corava violentamente com isso, mas Pedro não parecia perceber. Logo ele tomava sua boca de novo, e tudo estava perdido. Pedro despertou quando se sentiu rígido, rígido o suficiente pra entrar nela, o que já estava acontecendo aos poucos, involuntariamente. Mas não podia continuar assim, apesar de ser irritante ao extremo, Karina não merecia ser usada.

Pedro: Ka... - Murmurou em êxtase o nome dela entre os beijos, quando sentiu seu corpo deslizar um pouco pra dentro dela. Karina estava assustada, porém adorando aquilo, era diferente. Pare com isso. Ordenou firmemente a si mesmo, precisaria parar agora, ou não teria mais forças.

Amaldiçoando todo mundo por conseguir respirar, ele foi encerrando os carinhos, acalmando ela. Karina sorriu. Apesar de estar adorando aquilo, ainda tinha muito medo, não estava pronta pra isso de novo. Ela descobriu naquele momento que gostava de Pedro. Não do Pedro que a violentou no chão da sala, mas desse de hoje, que a respeitou. Ela deixou o corpo descansar no dele, e o beijava levemente o ombro, enquanto acariciava lhe a cintura superficialmente.

Pedro: Você é tão absurda, Karina. - Disse sentindo os beijinhos dela, e envolvendo-a num abraço.

Karina: Pode ser, mas você, sem duvida, é bipolar. - Pedro riu e ela o acompanhou encantada. Se Pedro continuasse assim, haviam chances de seu casamento ser como o de Bianca e Joseph. Ele selou os lábios com os dela e ficaram quietos por um bom tempo, até que a agua começou a esfriar. Os dois saíram do banho e foram se aprontar, ainda tinham um longo dia pela frente.

Pedro: Sabe andar por aqui? - Perguntou indiferente, rompendo o silêncio na carruagem

Depois de composto, Pedro recobrou sua frieza. Karina colocou um vestido azul turquesa, e agora engolia uma raiva irritante daquele homem.

Pedro: Posso mandar um empregado com você. - Disse ao deixa-la na frente da grande loja.

Karina: Como se você se importasse. - Pedro revirou os olhos - Eu estou bem, pode ir. - Disse, dura. P&K não repararam, mas as pessoas em volta olhavam disfarçadamente, cobiçosos. Eram um belo casal. Pedro era o tipo de homem que fazia as mulheres suspirarem, e Karina, delicada, com suas feições finas.

XXXX: Bom dia pode ajuda-los? - Disse saindo a loja, em direção ao casal.

Pedro: Minha esposa precisa fazer compras. Dê a ela o que precisar, não importa o preço. - Disse ainda encarando Karina.


Todos na cidade conheciam os Ramos. Sua fortuna desmedida assombrava a todos. O dono da loja, feliz da vida, assentiu e saiu. Karina encarava Pedro com raiva. Ele balançou a cabeça negativamente e saiu. Karina suspirou e foi as compras. Antônia precisava de tudo, e Karina comprou tudo. Vestidos, sapatos, escovas, roupinhas de baixo, sabonetes, perfumes, espartilhos, meias. Tinha comprado roupas que encheriam um guarda-roupa. Estava olhando um vestidinho quando Pedro voltou.

Karina: Você termino... - Se interrompeu ao ver o enorme monte de coisas que Karina separou - Que diabos é tudo isso?

Karina: Coisas pra Antônia. - Disse sem dar atenção

Pedro: Antônia tem tudo o que precisa. - Disse friamente, enquanto Karina olhava a renda do vestido.

Karina: Ai é que você se engana. Ela não tem nada, parece um moleque. - Disse friamente - Eu vou ser a mãe dela. - Karina não viu, mas a maxilar de Pedro se contraiu absurdamente quando ela disse isso.


Pedro: Escuta aqui. - Ele disse entre dentes - Eu não sou o tipo de homem que volta atrás em uma decisão, então, não me provoque. - Ameaçou.

Karina: Jura? Pois deixa eu te contar uma novidade. - Ela se virou pra ele, jogando o vestido rosinha no monte de coisas que compraria - Eu não sou o tipo de mulher que abaixa a cabeça. Então, não me subestime.

Pedro encarou Karina, furioso. Ela correspondeu o olhar a altura. Estava com tanta raiva. E assim ficaram azul e verde, um lançando ódio contra o outro. Então, o olhar de Pedro se suavizou em um sorriso de deboche.

Pedro: Tudo bem. - Ele se virou pra pilha de coisas - Mas isso, - Ele pegou um pequeno espartilho - Não vai. - Sorriu

Karina empalideceu. Os vestidos podiam ser usados sem os espartilhos, mas ficavam horríveis. Pedro era simplesmente insuportável. Mas ela sorriu. Veio preparada pra isso. 

Karina: Tudo bem, os espartilhos ficam. - Ela tirou o monte de espartilhos do bolo - Podemos ir?

Pedro a encarou, surpreso, mas achando graça. Foi até o dono da loja, que fez as contas e teve um surto de prazer quando Pedro lhe pagou tudo, em dinheiro vivo. Pedro voltou pra carruagem, e Karina fingiu estar conferindo as compras. Mas quando ele saiu, ela tirou um pequeno bolo de notas do decote e comprou os espartilhos, misturando-os nos pacotes. Voltou pra carruagem sorrindo, e foi em silêncio pra casa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário