quarta-feira, 2 de setembro de 2015

19


João: Agora escutem aqui, vocês dois. – Rosnou, raivoso, enquanto segurava Cobra, que mais uma vez tinha brigado com Pedro. Dessa vez João interferiu antes que os dois se embolassem, mas por pouco – Já chega dessa situação. Vocês se matarem não vai mudar o que já foi feito. Eu não quero ter que tomar medidas sérias em relação a isso. Vocês dois não são mais crianças. Entendidos? – Perguntou, sério, e ninguém ali teve coragem de desafiar a ira de João.

Juntos, Pedro, João, Bianca, Cobra, Tomtom e Théo terminaram de tomar café juntos. Théo, pra resumir, estava adorando ficar na casa de Pedro. Tinha Bianca, de quem ele gostava bastante, e era excitante assistir as brigas de Pedro e Cobra. Após tomar café rapidamente, Cobra preparou uma bandeja pra Karina e saiu da sala.

Cobra: Buon giorno. – Disse sorrindo, ao entrar no quarto da loura.

Karina: Molto bene. – Respondeu, sorrindo abertamente pra ele.

Cobra ajudou Karina a se sentar. Logo ela tomava café ao lado dele, e as vezes até conseguia rir.

Cobra: Eu vou precisar sair, tenho que resolver uns problemas. – O sorriso de Karina se fechou – Não fique assim. – Ele acariciou o rosto dela – Antes do almoço estarei de volta. – Sorriu torto, e Karina esqueceu do que estava reclamando.

Os dias foram se passando. O empregado que Cobra mandou a Alemanha voltou, trazendo uma caixa do creme que foi buscar.

Cobra: Olha o que eu trouxe. – Disse entrando com o pote com um gel transparente.

Karina: O que é isso? – Perguntou, olhando-o da cama

Cobra: Segredo. – Ele não queria dar a Karina a idéia de que ela possivelmente fosse ficar marcada. Só faria isso em ultima instancia.

Quando Cobra abriu o pote, um cheiro forte pairou pelo ar. Lembrava menta, hortelã, Karina não sabia direito, mas ardia no nariz. Karina cerrou os olhos quando Cobra abriu o feixe traseiro da camisola, deixando suas costas nuas.

Quando a mão dele, coberta pelo gel, tocou suas costas, ela esperou pela dor, mas ao invés disso o que veio foi alivio. Ela abriu os olhos devagar, ainda sentindo. A mão de Cobra era fria sobre sua pele, mas o próprio creme amortecia a dor.

Cobra: E então? – Perguntou olhando ela, ansioso – Dói?

Karina: Não. – Disse, sentindo o alivio que vinha das mãos dele – É bom. – Cobra sorriu.

Cobra: Ficará boa em breve, minha Selly. E voltará a correr feliz no seu cavalo, do jeito que eu gosto de te ver. – Karina sorriu, fechando os olhos.

O tempo continuou passando. Karina foi melhorando relativamente. Suas costas já estavam praticamente cicatrizadas. Só haviam umas marquinhas leves, que ao passar do tempo foram sumindo, graças ao empenho de Cobra. Pedro passava as noites velando seu sono, sem que ela soubesse. O médico voltou a visita-la, e recomendou que ela passasse um pouco do tempo deitada com a barriga pra cima, pra não prejudicar a pele, abafando-a todo o tempo. Era assim que Karina estava agora. A chuva, o vento e os trovões dançavam lá fora. Ela estava deitada de barriga pra cima, com os cabelos esparramados pelo travesseiro, e os braços ao lado do corpo. O quarto estava escuro, Cobra já havia ido dormir. Karina estava pensando sobre Pedro, sobre o que fizera com ela, sobre Vicki, sobre a adoração na voz dele quando chamava por ela. A injustiça era tão grande! Karina não tinha culpa, não pediu por esse casamento. E ainda, de brinde, Pedro quase mata ela por ter descoberto o maldito terceiro andar. O ódio tomou conta dela. E então uma dor diferente tomou ela. Era uma dor que cobria todo o seu corpo, desde as raízes do cabelo até os dedos dos pés. Uma dor semelhante a de um hematoma sendo pressionado. Karina ofegou, franzindo a sobrancelha.

Ainda de olhos fechados, flexionou a mão, mas descobriu que doía mais ainda. Passaram-se horas assim. Karina pensou que finalmente a morte tinha vindo lhe buscar, e teve ainda mais ódio. Que motivo idiota pra se morrer! Mas então, quando o dia foi amanhecendo, a dor foi passando, aos poucos. Karina abriu os olhos. Tudo parecia bem mais definido, agora que ela já tinha sua cabeça resolvida. Odiava Pedro. Ele iria pagar. O céu começava a se clarear, e ela se levantou. De onde arrumou forças, nem ela mesma sabia. Caminhou até o espelho. Se admirou de como estava. Antes teria se espantado, mas hoje se admirou. Seus cabelos não tinham mais um cacho. Eram apenas lisos, sem nenhuma volta, caindo pelas costas. Sua pele não tinha vida, era branca como a de um morto. Branca, como a de Pedro. Seus olhos eram de um azul frio, e era como se tivesse raspas de gelo por dentro. Porém, estava linda, pensou amargurada, consigo mesma.

João: Eu quero tomar café em paz. – Disse tentando acalmar a briga, mas a faca que estava em sua mão estava segurada em modo de ataque, como se ele fosse esfaquear alguém.

Karina: Bom dia. – Sorriu, fria, entrando na sala.

A primeira reação de todos foi o choque. Se não estivesse de pé, podiam considerar Karina morta, por sua cor. A segunda, foi o deleite. Ela prendera os cabelos em um coque apertado, onde nenhum fio se soltava. Usava um vestido cor de esmeralda.

Cobra: Selly, você não devia ter se levantado. – Repreendeu, ainda meio abobalhado.

Karina: Eu estou bem. – Sorriu. Sua voz também tinha mudado. Estava mais séria, mais grave – Bom dia. – Sorriu pra Pedro, e selou os lábios com os dele, em seguida indo pro seu lugar.

O café da manhã passou normalmente. Pela primeira vez em dias, Cobra e Pedro não brigaram mais, para satisfação de João.

Pedro: Karina? – Chamou, entrando no quarto

Karina: Sim? – Respondeu naturalmente, se virando pra ele.

Pedro: Você... – Ele observou-a por um momento – Você precisa de alguma coisa?

Karina: Porque precisaria? – Respondeu, dura. Ele assentiu, observou ela por uns segundos e saiu. Karina achou que ele parecia abatido, mas não deu atenção. Ele não merecia.

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Cobra: Selly? – Chamou, entrando na sala. Karina ergueu os olhos pra ele. – Tudo bem?

Karina: Tudo. – Cobra continuou encarando-a. Ela riu – O que foi?

Cobra: Você está estranha, pra ser resumido. – Ele avaliou ela

Karina: Não é nada, só me sinto bem. – Sorriu de canto pra ele.

Cobra: Posso ajudar em alguma coisa?

Karina: Cobra! – Repreendeu, aos risos, o olhar investigador dele – Eu estou bem. Fique tranquilo.

Os dias foram passando. Karina não voltou a montar em Seth. Não sentia vontade. Ela e Pedro agora mantinham um relacionamento estranho, receoso da parte dele, e forçadamente agradável da parte dela. Pedro sentia remorso cada vez que olhava pra ela. Que diabo, o que havia feito com a Karina alegre e inocente?

Pedro: Karina? – Perguntou, mais uma vez entrando no quarto dos dois, onde ela terminava de prender os cabelos.

Karina: Sim? – Perguntou, indiferente

Pedro: Isso é seu. – Ele disse, e Karina viu a grande caixa nas mãos dele

Karina: Acha realmente que presentes vão resolver? – Perguntou, dura.

Pedro: Não é um presente. Se fosse, eu diria “isso é para você”. Mas isso é seu. – Ele pôs a caixa branca em cima da cama, saindo.

Karina observou Pedro sair com o olhar frio. Depois, a curiosidade lhe venceu. Se levantou e foi, sem emoção alguma, até a caixa. Tirou a tampa, pondo-a de lado, desdobrou o papel. Seu choque foi tão grande que suas mãos tremeram. Ela conhecia aquelas rendas. Puxou o vestido de dentro da caixa, e lá estava ele. Seu vestido de noiva. Intacto, como se nunca tivesse sido rasgado. Ela olhou, e a costura estava perfeita. As rendas pareciam nunca ter sido tocadas. Karina estremeceu. Sentia vontade, mas não chorou. Seus novos olhos se recusaram a lacrimejar. Ela ergueu o rosto, respirou fundo, colocou o vestido com todo o cuidado dentro da caixa novamente e o guardou.


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Creditos Samilla Dias

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. amor que saudades de tu amei a reviravo kkk tá Ta Ka com o Pe bem merecido viu bem feito pra ele que não deu bolo e quando tinha idiota faz ele correr atrás dela agora u.u ela merece 😤
    mano tomara que ele mude e Ka não precise mais " revorer " ao cobra pra amenizar a dor dela.pq eu acho que é isso que ela sintia com o cobra uma espécie de segurança e compensava uma falta que o Pe tinha com ela é tals mais não demora pra postar mãos não viu flor e muito ruim vc entrar no site e vê que vc não atualizou ainda :'( bjus linda ❤

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  3. amor que saudades de tu amei a reviravolta da Ka ela tá totalmente certa em agir assim o Pe ele foi um idiota com ela mano bate foi demais ela vai ter oq merece ok?! bem merecido viu bem feito pra ele que não deu atençao quando tinha !!! idiota faz ele correr atrás ela merece u.u
    mano tomara que ele mude e Ka não precise mais " correr " pro cobra pra amenizar a dor dela pq eu acho que é isso que ela sintia com o cobra uma espécie de segurança e compensava uma falta que o Pe tinha com ela é tals mais não demora pra postar mãos não viu flor e muito ruim vc entrar no site e vê que vc não atualizou ainda 💔 bjus linda ❤💜

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